Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Poética


Manoel Bandeira.

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo

Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto nã é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar
com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de
agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

Sobre o suposto desaparecimento de Belchior.


O Fantástico anunciou a matéria sobre o desparecimento de um ídolo da Música Brasileira e não dei muita atenção até que descobri se tratar de Belchior. Juro que me abalou a notícia. Ele representa o que há de melhor na MPB. Criador de lindas baladas compostas de versos que harmonizam inteligência e beleza em letras insesquecíveis, Belchior pode ter sido excluído pela mídia que exalta a mediocridade, mas seu público cresce de geração em geração. Não entendi bem a reportagem. Cheguei a duvidar de sua veracidade e vi um pouco de sensacionalismo alí. Definitivamente ele não precisa desse tipo de publicidade.
Ainda assim ouvi Belchior na manhã seguinte e me deleitei como sempre. Além de Elis, ninguém canta suas canções melhor do que ele mesmo, apesar de ser mais conhecido como compositor.
Há pouco encontrei a matéria que transcrevo abaixo na Folha on Line e voltei a pensar sobre o assunto. Afinal, onde está Belchior?

26/08/2009 - 13h57
Jornal britânico fala sobre desaparecimento de Belchior
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da Folha Online

O jornal britânico "The Guardian" publicou em seu site um artigo sobre o desaparecimento do cantor cearense Belchior.

Em texto assinado pelo correspondente da publicação no Rio de Janeiro, Tom Phillips, o periódico cita a reportagem exibida pelo "Fantástico" no domingo (23), em que parentes e amigos do músico relatam não ter notícias sobre o cantor há cerca de dois anos.

Cleo Velleda/Folha Imagem

Cantor Belchior foi tema de artigo do jornal britânico "The Guardian"
O "The Guardian" aborda ainda a repercussão do desaparecimento de Belchior na internet, destacando relatos de pessoas que afirmam ter visto o cantor em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Colônia do Sacramanto, no Uruguai.

A comunidade "Onde Está Belchior", criada no site de relacionamentos Orkut, e que reúne mais de 5 mil internautas, é uma das fontes utilizadas pelo repórter para revelar a dimensão que o sumiço do artista teve na rede.

Teorias diversas apontam para um possível exílio voluntário de Belchior em praias do nordeste brasileiro, fãs do cantor apostam ainda que ele se mantém escondido enquanto prepara uma tradução brasileira para "A Divina Comédia", de Dante Alighieri.

Há também hipóteses sobre um possível retorno da carreira de Belchior, que seria catapultada pelo misterioso desaparecimento.

O artigo traça um paralelo entre o sumiço de Belchior e o desaparecimento de Ritchie Edwards, guitarrista da banda Manic Street Preachers, que nunca mais foi visto após abandonar seu carro perto de uma estação de trem no Reino Unido.

Um dos carros do músico, famoso por fornecer canções a Roberto Carlos, Tom Jobim e Elis Regina, permanece no estacionamento do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com dívida superior a R$ 18 mil.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u615153.shtml






Coração Selvagem
Belchior

Meu bem, guarde uma frase pra mim dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja no seu copo no seu colo e nesse bar
Meu bem, o meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde, eu quero o corpo tenho pressa de viver
Mas quando você me amar, me abrace e me beije bem devagar
Que é para eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo para ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro, ver e saber que eu te amo
Meu bem, o mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante, coma um cachorro-quente
Sim, já é outra viagem e o meu coração selvagem
Tem essa pressa de viver
Meu bem, mas quando a vida nos violentar
Pediremos ao bom Deus que nos ajude
Falaremos para a vida: "Vida, pisa devagar meu coração cuidado é frágil;
Meu coração é como vidro, como um beijo de novela"
Meu bem, talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, e a minha fúria e essa pressa de viver
E esse jeito de deixar sempre de lado a certeza
E arriscar tudo de novo com paixão
Andar caminho errado pela simples alegria de ser
Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo , vem morrer comigo
Talvez eu morra jovem, alguma curva no caminho, algum punhal de amor traído, completara o meu destino.
Meu bem, vem viver comigo, vem correr perigo
Vem morrer comigo, meu bem, meu bem, meu bem
Que outros cantores chamam baby (4 x)

Terça-feira, Agosto 18, 2009

É lamanentável constatar que o poder esmaga ( ou tenta esmagar) quem a ele não se curva.
(Sobre o depoimento de Lina Vieira no Senado)

Segunda-feira, Julho 20, 2009

Canção à Amizade.




Eu tenho um amigo que guardo na concha da mão.
Amigo de partida.
Amigo de chegada.
Amigo de sempre.
Eu tenho amigo-irmão.
Tenho amigos prpximos
Amigos de meia-distância
Amigo que o mar separa, alojado no coração.
Amigos que me ouvem e amigo que tento ouvir.
Amigos de até logo e amigos (de talvez) nunca mais.
Amigos de ontem e de hoje formando minha canção.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Abraço.

Estreito é o tempo
Largo é o abraço
Para o que ainda vive em mim.

Terça-feira, Julho 07, 2009

TRIBUTO



Um ícone. Um ser polêmico. Uma criatura andrógina. Um astro. Tudo já foi dito sobre Michael Jackson, que hoje será homenageado em Los Angeles em um funeral espetáculo nunca visto até hoje.
A mídia que o revelou e posteriormente o derrubou,enfim, reconheceu seu brilho singular e lhe deu definitivamente o título de Rei do Pop.
Para mim sua morte foi uma surpresa. Reagi como se aquele menino que me encantou com Ben e que fez o mundo cantar e dançar com Beat It fosse imortal.
E ele o é, pelo menos para nós que crescemos com ele. É interessante perceber que Michael Jackson encarna uma geração de adolescentes tardios na qual de certa forma me incluo
Que o menino que não queria crescer tenha encontrado a paz desejada. É o que desejo. É o que me conforta.É o que ele merece.

Domingo, Julho 05, 2009


Este texto faz parte do Exercício Criativo “Meses”





QUANDO FEVEREIRO CHEGAR.

Nutro um carinho especial por Fevereiro. Uma ligação bem íntima mesmo, uma vez que nasci quase no segundo mês do calendário.

Com a rapidez que tempo está passando por nós, daqui a pouco farei aniversário em fevereiro.

Brincadeiras à parte, Fevereiro, aqui no lado de baixo do Equador ,é ensolarado e alegre. Tem praia, calor exagerado e quase sempre Carnaval.

É mês curtinho em dias e rico em festas. É mês que ganha um dia a mais a cada quatro anos e mesmo assim ainda é menor que os demais, porém tão bonito quanto.

Um mês em que aquários e peixes unem-se na astrologia acentuando a sensibilidade, a tolerância, o sonho e a alegria de muitos.

É também início da quaresma. Fim de farra e preparação para a páscoa.

Antes que as águas de março venham fechar o verão, o ano vai se impondo. A vida dura recomeça com certa preguiça ainda, pois o calor persiste.

Fevereiro é também poesia. A chama continua para a gente rir e chorar . A saudade já não mata e ninguém verá o que sonhei ,como canta Geraldo Azevedo, grande compositor pernambucano. em uma de suas letras mais inspiradas


Pois bem, o poeta falou tão lindamente sobre fevereiro que me recolho para iluminar minha página com o seu canto e brindar aos que me visitarem.



Chorando e Cantando.
Geraldo Azevedo

Quando fevereiro chegar
Saudade já não mata a gente
A chama continua no ar
O fogo vai deixar semente
A gente ri a gente chora
Ai ai ai a gente chora
Fazendo a noite parecer um dia
Depois faz acordar cantando
Pra fazer e acontecer
Verdades e mentiras
Faz crer, faz desacreditar de tudo
E depois depois amor ô ô ôô

Ninguém ninguém verá o que eu sonhei
Só você meu amor
Ninguém verá o sonho que eu sonhei
Um sorriso quando acordar
Pintado pelo sol nascente
Na luz de cada olhar mais diferente
Tua chama me ilumina
Me faz virar um astro incandescente
Teu amor faz cometer loucuras
Faz mais, depois faz acordar chorando
Pra fazer e acontecer
Verdades e mentiras
Faz crer, faz desacreditar de tudo
E depois depois do amor
Amor ô ô




Saiba mais e conheça os outros textos, acessando:
http://www.encantodasletras.50webs.com/meses.htm

Terça-feira, Junho 16, 2009

Bloomsday.



Eu tinha uns vinte anos quando me interessei pelo escritor irlandês James Joyce e foi absurdamente frustrante para mim quando me disseram que havia um curso ótimo para quem quisesse ler Ulisses, obra maior do autor. A leitura sempre significou um prazer ao meu alcance, então me assustei com um escritor que exigiria de mim um esforço tão grande para entendê-lo. Ulisses virou um tabu. Não li. Contentei-me em ver filmes sobre a Dublin da época de Joyce e em ler alguma coisa sobre o autor do romance que ganhou um dia só para ele. Hoje se comemora o Bloomsday. Talvez eu esteja perdendo a melhor obra literária já escrita. Talvez tenham dado a James Joyce uma aura elitista e eu não seja mesmo dessa turma. Talvez eu ainda leia Ulisses, mas hoje apenas registro a data e imagino a odisséia de Leopold Bloom, o Ulisses da era moderna, pelas ruas de Dublin.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

O Pecado Mora ao Lado.


E se tivessem ignorado a palavra de Jesus e atirassem as pedras? Matariam aquela mulher, mas não se livrariam dos pecados.
A natureza humana é a mesma de 2000 anos atrás. Os pecados vizinhos são apontados facilmente; os nossos escondidos.
Na peça O Rei Lear, escrita por Shakespeare, em 1606 estão explícitas a inveja , a ira e a soberba.
A luxúria é citada nos discurso senil do rei, assim como a avareza.
Apenas a gula e a preguiça ficaram fora do tratado. E não fizeram falta, pois a desgraça se fez sem esses dois pecados capitais.
Lá na Bretanha também se via melhor o pecado do outro.
Permanecemos pecando e afirmando que o pecado mora ao lado. Há os que pecam muito e gravemente, há os que pecam moderadamente e há os que quase não pecam.
Os primeiros estão nas manchetes derramando sangue ou anônimos gerando perfídias.
Os moderados convivem normalmente conosco. Um pecado ali, outro aqui.
E acreditem, conheço alguém em quem não se vê sombra de pecado algum. È quase um passarinho, daqueles serezinhos sem idade definida, e tem nome de flor. Mora aqui perto e me sinto péssima por não visitá-la com mais frequencia.
As tentações continuam na mesa, na cama, no bolso, na alma e na vida. Os instintos são fortes e os pecados são cometidos a olhos vistos ou não.
Peco quando tenho a pretensão de negar meus pecados. Nego-os por arrogância, medo ou excesso de culpa, que atribuo à formação opressiva da religião na qual fui criada.
Vale ressaltar que a espada da culpa não é propriedade católico-romana. Quase todas as religiões se fundam no temor e no castigo.
A boa notícia é que a piedade, o perdão e o amor também são sentimentos humanos e sustentam a nossa sobrevivência sobre a terra.
Acredito no Deus que ama incondicionalmente os pecadores e por isso tento abraçar os desacertos que me espinham a pele.
Sigo pecando, consciente de que se o mal nunca foi meu objetivo, ainda assim pequei e, certamente, pecarei, mas com muita vontade de acertar.
Ainda atiro pedras, porém já sei reconhecer quando me engano e tenho certeza que não corrigirei meus erros debruçada na janela observando meu vizinho.

Sábado, Maio 30, 2009

Preciosidades de Quintana.


Mário Quintana foi amor à primeira leitura pela concisão com a qual oferecia estética e saber em poesia.
Seus poemas contém graça e muita vida em poucas linhas.
Lembro que aos 16 anos mostraram-me sua casa em Porto Alegre: o Hotel Majestic e
na minha meninice achei muito interessante o morar do poeta da doce ironia.
Quintana, que morreu aos 87 anos com ar de menino, disse muita coisa que adorei ler. Algumas delas transcrevo agora com enorme prazer:

"Sonhar é acordar-se para dentro."

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"A arte de viver é simplesmente a arte de conviver ... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!"

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POEMINHA DO CONTRA

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

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"Tão bom morrer de amor e continuar vivendo."

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"A amizade é um amor que nunca morre."

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"Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho."


Mário Quintana